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Brasileira cria prato biodegradável com resíduos de banana

07 de Fevereiro de 2020 - Boas Notícias

Luiz Alves

A cearense Paula Facó desenvolveu um prato biodegradável que usa como matéria-prima resíduos da produção de banana. Chamado M.U.S.A., o prato foi uma das sete pesquisas selecionadas por meio de Edital do Laboratório de Criação da Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco para buscar alternativas ao uso de produtos descartáveis, de plástico.

O nome do projeto teve origem no gênero das bananeiras Musa – o da banana-prata é musa acuminata. Paula usou produtos das plantações orgânicas de bananeira no quilombo da Serra da Rajada, em Caucaia, para desenvolver o prato biodegradável. O produto foi criado com mentoria do analista do Laboratório de Biomassa da Embrapa Adriano Mattos.

A ideia

A ideia surgiu quando Paula vendia sopas aos fins de semana e passou a buscar alternativas para não utilizar plástico de uso único. Depois que o projeto foi selecionado no Laboratório de Criação, ela trabalhou durante sete meses em busca de um processo de produção simplificado e sustentável. “O pseudocaule da bananeira já está disponível na natureza e não era utilizado de nenhuma forma pelos produtores”, afirma.

Pioneira

A superintendente da Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco, Selene Penaforte, disse que a iniciativa é pioneira e dá visibilidade ao grande potencial da cultura alimentar do Ceará.

No decorrer de 2019, sete pesquisadores selecionados por meio de Edital do Laboratório de Criação em Cultura Alimentar e Gastronomia trabalharam em projetos relacionados com diferentes temas da cadeia produtiva do alimento, desde a colheita até o direcionamento de resíduos.

Entre eles estão os projeto de:

– Isaac Moreira, que trabalhou em um “Tempero Cearense” obtido do feijão de corda com mamão;

– Iury de Melo, que criou produtos a partir do aproveitamento integral de insumos da pesca artesanal;

– Mateus Ferreira, que destacou a produção de óleo de batiputá na comunidade indígena Tremembé da Barra do Mundaú, em Itapipoca;

– Fernanda Soares, que criou um queijo vegetal fermentado de resíduos de castanha de caju;

– Vicente Monteiro, que desenvolveu fermentos a partir do bioma Caatinga e Marina Antonácio desenvolveu um manual para criação de cozinhas no padrão Lixo Zero.

A Escola 

A Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco (EGSIDB) é uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, gerida pelo Instituto Dragão do Mar. O centro de formação oferece cursos básicos e profissionalizantes em cozinha, panificação e confeitaria, além de mentorias para desenvolvimento de produtos e pesquisas, por meio do Laboratório de Criação em Cultura Alimentar Gastronomia.

O público-alvo da escola são, preferencialmente, jovens em situação de vulnerabilidade social e adultos com ou sem experiência em gastronomia. Todas as atividades são gratuitas, de acordo com inscrições e processo seletivo.


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