Notícias

< Volta para Notícias

Brasileiros vencem competição da NASA com projeto pra limpar oceanos

28 de Fevereiro de 2020 - Boas Notícias

Divulgação

As equipes de São Paulo (acima) e Bahia (abaixo)

Duas das seis equipes vencedoras da competição Internacional Space Apps Challenge 2019, promovida pela Agência Espacial Americana, são brasileiras – uma da Bahia e outra de São Paulo. Os projetos apresentaram soluções para reduzir impactos de microplásticos e óleo nos oceanos.

Os baianos conquistaram o primeiro lugar em “Melhor uso de hardware”, como solução que exemplifica o uso mais inovador em hardware. Já os paulistas venceram na categoria “Impacto Galáctico”, como solução com maior potencial para melhorar a vida na terra ou no universo.

O prêmio é apresentar os projetos diretamente no Nasa Kennedy Space Center, na Flórida, Estados Unidos, o que deve acontecer ainda no primeiro semestre deste ano. Eles também têm que conseguir que a agência espacial americana tope desenvolver as invenções.

Microplástico

Os cinco universitários baianos do "Cafeína Team", que têm entre 18 e 23 anos, criaram o projeto de um equipamento (chamado Ocean Ride) para retirar microplásticos dos oceanos, um problema grave e em crescimento, que coloca em risco a vida marinha e humana. O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo.

Microplásticos são partículas que medem no máximo cinco milímetros. Derivam de plásticos e fibras de tecidos sintéticos expelidos nas lavagens de roupas, entre as fontes mais importantes. Anualmente, os oceanos recebem em torno de 10 milhões de toneladas de lixo plástico.

Três alunos fazem Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Genilson Brito, Pedro Dantas e Antônio Rocha, outros dois são da Universidade Católica de Salvador (Ucsal): Ramon de Almeida, que cursa engenharia química; e Thiago Barbosa, do curso de análise de desenvolvimento de sistemas.

Inovação

O projeto dos baianos tem um conceito bastante inovador. Baseado no princípio do gerador Van Der Graaff, o sistema atrai microplásticos por meio de uma corrente eletrostática. “A água vai entrar no equipamento e vai sair, mas o microplástico vai ficar (dentro dele)”, assegura o universitário Pedro Dantas.

Além de atrair, o Ocean Ride armazena e compacta os resíduos, para o melhor aproveitamento do espaço do equipamento, explicam os estudantes. Quando o contêiner estiver cheio de microplásticos, pode-se removê-los no destino final da embarcação. Nas plataformas, os equipamentos podem ser apenas substituídos por outros vazios.

“O grande diferencial do Ocean Ride é que ele pode ser acoplado ao lado de qualquer embarcação. E em plataforma de petróleo também. Pode ainda ser afixado em determinados pontos de oceanos e mares. Em áreas estratégicas de correntes marinhas, com grande fluxo desses materiais”.

Manchas de óleo no litoral

Os paulistas se inspiraram no derramamento de óleo no litoral do Brasil. Mais de 4.500 toneladas de óleo já chegaram à costa do País desde o início do último quadrimestre de 2019, afetando 11 estados. Os especialistas acreditam que a recuperação total das áreas afetadas pode demorar mais de 100 anos.

Mas desastres com petróleo no mar, infelizmente, são comuns e, geralmente, devastadores para a vida marinha e para as comunidades costeiras –37% da população global vive nestas regiões.

A economia oceânica gira entre US$ 3 trilhões e US$ 6 trilhões. Além disso, a alimentação humana é bastante dependente da pesca. Por isso, os estudantes decidiram desenvolver uma tecnologia para detectar esses tipos de manchas baseada em imagens de radar, inteligência artificial e algoritmos. A ideia é que manchas de óleo possam ser avistadas e contidas muito antes de chegarem às comunidades costeiras.

“Nossa rede neural é capaz de analisar muitas imagens em busca de pontos de derramamento de óleo. Pode ser usada por aplicativos de terceiros ou sistemas governamentais para melhorar o ganho de tempo de resposta a um desastre ambiental (com óleo)”, afirma a equipe paulista.

Resultado

Antes da competição, as equipes venceram as etapas locais. Trinta projetos foram selecionados como os melhores do mundo 4 seguiram para a final global. O hackathon foi realizado no final de 2019, mas o resultado foi anunciado recentemente.


< Volta para Notícias

Notícias Relacionadas

  • 12/06/2020

    Nova Zelândia tem abraços, compras e mãos dadas: desconfinamento

    Saiba mais
  • 01/05/2020

    Mundo já tem 1 milhão de recuperados da covid-19

    Saiba mais
  • 24/04/2020

    Tratamento brasileiro com anticoagulante tem sucesso contra covid-19

    Saiba mais
  • 21/02/2020

    Professor solteiro adota o próprio aluno que precisava de transplante

    Saiba mais
  • 14/02/2020

    Aluno que fazia faxina e estudava no banheiro passa em Medicina na USP

    Saiba mais
  • 07/02/2020

    Brasileira cria prato biodegradável com resíduos de banana

    Saiba mais